A obesidade é definida como um acúmulo de gordura em excesso, sendo prejudicial à saúde e ao bem-estar do ser vivo. A obesidade em animais de companhia, tem sido causada pela sobrecarga do fornecimento de carboidratos e gorduras, castração, sedentarismo e resistência à insulina.
Pesquisas mostram que 25% dos gatos e 40% dos cães apresentam sobrepeso.. Outros estudos detectaram uma taxa de obesidade em gatos de 23,1% e em cães, de 25,2%.
Com a obesidade, surgem complicações metabólicas que podem levar ao desenvolvimento de várias enfermidades, dentre as quais a mais comumente observada na clínica de pequenos animais é a diabetes mellitus.
Cães e gatos, além de divergentes física e morfologicamente, também o são em termos metabólicos, requerendo níveis diferenciados de proteínas, gorduras e carboidratos alimentares. Um manejo mal elaborado entre estes nutrientes pode causar sérios distúrbios metabólicos, dentre os quais a diabetes mellitus ocorre freqüentemente.
Na Tabela pode-se observar que nas duas espécies a obesidade é uma das principais causas incriminadas na etiologia da doença.
Tabela – Etiologia comparativa da diabetes mellitus entre cães e gatos.
Cães |
Gatos |
Genética |
Amiloidose |
Insulinite imuno-mediada |
Obesidade |
Pancreatite |
Infecção |
Obesidade |
Doença concomitante |
Infecção |
Drogas |
Doença concomitante |
Pancreatite |
Drogas |
Genética |
Amiloidose |
Insulinite imuno-mediada |
Diagnóstico A suspeita de que um animal apresente diabetes inicia com a observação dos sinais clínicos da doença: poliúria, polidipsia, polifagia e emagrecimento. Porém, para que se estabeleça o diagnóstico é necessário que seja demonstrada hiperglicemia de jejum persistente e glicosúria. Apenas uma demonstração de hiperglicemia não implica no diagnóstico definitivo, já que alterações metabólicas causadas pela administração de glicocorticóides ou outros hormônios hiperglicemiantes podem causar elevação nos níveis de glicose sangüínea, mesmo a liberação de cortisol endógeno e adrenalina no estresse da colheita é suficiente para determinar tal elevação. Muitas vezes é necessário estabelecer uma curva glicêmica, para que fique estabelecido o diagnóstico, podendo esta curva auxiliar na diferenciação entre os tipos de diabetes.
Além dos índices metabólicos previamente mencionados, existem outros testes que são de extremo auxílio na investigação:
– Frutosamina: consiste em proteínas glicosiladas que espelham a glicemia média nas últimas semanas, sendo um teste importante principalmente para felinos, já que não se altera com alterações induzidas pelo estresse.- Testes de função hepática: ALT (alanina-aminotransferase), AST (aspartato-aminotransferase), FAS (fosfatase alcalina), entre outros, auxiliam a estabelecer a presença de dano hepático causado pelo metabolismo alterado presente na diabetes mellitus.
– Colesterol e Triglicerídeos: auxiliam a detectar dislipidemias, comuns na diabetes.- Corpos cetônicos: a ceto-acidose diabética pode levar o animal à morte se não tratada emergencialmente. Detectar a sua elevação no sangue é imprescindível para avaliar o grau da enfermidade, além de ser um suporte para o tratamento e prognóstico.
– Eletrólitos: a diabetes causa um desbalanço hidro-eletrolítico. A acidose que ocorre em graus avançados leva ao deslocamento de potássio para o espaço extracelular, levando à hipercalemia.- Testes de função renal: a desidratação e a redução do pH podem levar à azotemia pré-renal. A mensuração de uréia e creatinina séricas é fundamental para se avaliar o quadro clínico.
– Urinálise: além da já mencionada glicosúria, caracteriza a diabetes a cetonúria, densidade baixa e bacteriúria, além de outros achados inerentes às complicações induzidas pela diabetes, como infecções urinárias.
Veiga, A. (2005). Obesidade e Diabetes Mellitus em pequenos animais. In: González, FH.D., Santos, A.P. (eds.): Anais do II Simpósio de Patologia Clínica Veterinária da Região Sul do Brasil. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. pp.82-91.
Comentários recentes